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I love mankind; it's people I can't stand.
Charles M. Schulz

 

setembro 13, 2009

 

Medina Carreira em entrevista á VISÃO:

 

Isto parece o Estado Novo

Excertos:

Não tem netos...
Não, mas tenho pena. Às vezes sinto falta de um, aqui, às cavalitas...

Mas atendendo ao que diz do País, não é muito prudente pôr uma criança neste mundo...
Se os pais tiverem juízo, vale a pena. Eu, se fosse pai, tentaria que o meu filho aprendesse qualquer coisa, nem que fosse para sapateiro. E que falasse bem Inglês e uma das línguas que farão falta no futuro: russo, chinês ou árabe. Toda a influência do mundo vai passar para esses países.

O senhor dá a ideia de ser uma pessoa disciplinada e disciplinadora. Tem a ver com essa sua formação, nos Pupilos?
Tem a ver com o meu pai, que era um educador a sério, exigente. A escola militar terá tido a sua influência mas eu sou também um homem de ordem. Tenho muita ordem na cabeça e pouca ordem nas mãos...

Entretanto, saiu, foi à Guiné e voltou. Veio para Portugal fazer o quê?
A escolha era entre ir para o Técnico ou não. Como não me apetecia, estava mais virado para as questões sociais, queria ir para Economia. Mas não tinha forma de ir, porque era da área de engenharia. E como admitia ter de fazer uma parte dos estudos a trabalhar, inclinei-me para Direito, que era mais compatível. Só que, vindo do ramo de Engenharia, não dava para ir para Direito. (Fazia confusão ao dr. Salazar...) Andei então para trás. Fui a Coimbra fazer um curso de Ciências Pedagógicas (CP), que me permitia saltar para qualquer curso.

Quanto tempo?
Um ano, cinco cadeiras. Mas saú então um decreto a dizer que os de CP não podiam, afinal, inscrever-se em qualquer curso...

E o que fez?
Fui ao Ministério da Educação e arranjei logo uma questiúncula. Estava lá um padre, que foi atendido primeiro do que eu, não achei bem, enfim...

Tem alguma crença religiosa?
Não, sou agnóstico. Já o meu pai era. A minha mãe é que era católica.

[...]

Casou com que idade?
Com 23 anos. Acabei o tal liceu aos 26 anos, no Liceu Camões. Dava aulas, fui empregado de escritório e técnico fabril.

No Barreiro...
No Barreiro. Era chefe do sector da produção de aço.

Para isso tinha de ter ordem nas mãos...
Para desenho e essas coisas tive sempre muito jeito. Finalmente, acabei Direito com 31 anos, comecei a advogar, etc..

Mas ainda foi para o ISEG.
Sim, o então ISE, para tirar Economia. Mas já era advogado, tinha muito trabalho e acabei por não completar.

Herdou do seu pai, que foi historiador, o sentido da História, na sua observação do País?
Herdei, sobretudo, o sentido do rigor, da disciplina, da honra, da fidelidade à palavra e o desinteresse pelo dinheiro. A coisa que me custa mais é discutir dinheiro.

Que percepção é que tinha, em jovem adulto, do Estado Novo?
A República teve de chamar o Salazar. Tinha de ser aquele ou outro qualquer. Até 1945 não era fácil ter feito muito melhor. Mas, a partir da guerra, percebi que o Salazar estava fora do tempo.

Mas já tinha alguma vocação, ou actividade política?
Actividade, não. Mas sempre tive muito interesse pela política. Enfim, estive na greve de 1962, embora mais velho que os meus colegas.

Com 27 anos, como viu a candidatura de Humberto Delgado?
Viu-se que o regime ia descambar. Mas o desmoronamento foi em 1960, 1961. E eu vejo hoje Portugal a desmoronar-se de forma parecida: sem norte, sem chefia esclarecida, sem elasticidade, sem capacidade de adaptação... Sinto hoje um Portugal tão trémulo como nos últimos dez anos do Estado Novo.

O 25 de Abril apanha-o com 42 anos. E motiva a sua intervenção política?Eu entrei para o PS antes do 25 de Abril, pela mão do meu colega e amigo José Magalhães Godinho, em 1973. Já conhecia o Mário Soares. Havia, na Baixa, um restaurante, com uma mesa sempre reservada para os advogados, e parávamos lá os que não concordavam com o regime. E foi lá que conheci o Soares. Voltei a vê-lo quando o fui esperar a Santa Apolónia, incógnito, no meio de milhares de pessoas,.

Mas o senhor alguma vez foi socialista? Quem o ouve hoje...
Aquele socialismo, que era viável naquele tempo, não é viável hoje. Esse é que é o problema. Hoje, é uma burla.

Entrou, então, no VI Governo provisório, de Pinheiro de Azevedo, para sub-secretário de Estado do Orçamento. Num período completamente convulsivo...
Eu entrei em Outubro, a pedido do Salgado Zenha, que não tinha ninguém para tratar dos impostos...

Zenha que era o seu ministro das Finanças, apesar de ter dito que não percebia nada de Finanças...
Não percebia nada daquilo, coitado, mas tinha uma boa cabeça. E era um homem honrado. E tinha uma grande equipa. O Artur Santos Silva, o Vítor Constâncio, o António Sousa Gomes, o Sousa Franco, a Manuela Morgado... A equipa de ouro, como se chamava. Fui eu - ninguém sabe, mas já agora, conto-lhe - quem propôs cadeia para a fraude fiscal. Que não havia.

E quantas pessoas foram presas até hoje?
(Risos) Talvez um desgraçado, um tal Viola, ou lá quem foi, por descuido. A partir desse momento eu percebi que isto não vai longe. Nunca irá para a cadeia nenhum trafulha por razões fiscais...

E como encontrou o Ministério das Finanças, naquela época?
A primeira vez que lá entrei era só gente, muita gente nos corredores, uma grande confusão... À porta do ministro havia uma espécie de caixote de sabão, com uma máquina de café. Um contínuo numa secretária de torcidos e tremidos, um tampo de vidro todo partido e, em cima, as imagens de umas senhoras ligeiramente despidas... Foi o meu baptismo.

No I Governo de Mário Soares, vai a ministro.
Um dia, o Zenha manda-me chamar. No gabinete dele estava o Soares. 'Você não quer ir almoçar connosco?' Fomos a uma tasquinha, em Belém, eu, o Sousa Gomes, o Zenha e o Soares. Eu estava a arrumar a minha trouxa para abandonar o ministério, tinha havido eleições ia formar-se o I Governo Constitucional. O almoço era para me convidarem para ir para ministro das Finanças. Olhe, o meu pai não gostava de política. A minha mulher via isto com muito maus olhos. Mas aquilo da política era, na altura, uma espécie de serviço militar obrigatório. E lá aceitei. Até hoje, ainda perco dinheiro com a política!

Ficou como tendo sido o artífice da negociação com o FMI...
Mas não é verdade. Quem esteve nisso foi depois o Vítor Constâncio e o Silva Lopes. Eu nem concordava com o acordo com o FMI. Aliás, vi logo que estava mal no Governo, porque não conseguia fazer a minha política, ninguém concordava comigo.

Mais tarde, Soares teve de dar carta branca ao Ernâni Lopes...
Pois, mas aí, o Soares já era outro, já tinha percebido a importância das finanças e estava apertado... E o Ernâni fez um grande lugar.

O senhor sai do PS em 1978...
Sim, em ruptura contra o chumbo, na AR, do Governo do Nobre da Costa. Depois, por influência do Mário Soares e do Almeida Santos, voltei, em 1983. Mas saí de novo, em 2000, ou 2001, por causa daquela trafulhice da reforma do património, no tempo do Guterres. Percebi que aquele partido era dirigido por gente sem palavra e eu não me dou com gente sem palavra.

Como se vê nas suas intervenções, e neste novo livro, continua zangado - e um pessimista inveterado.
Sou um pessimista sob condição. Se continuarmos com estas instituições a funcionar tal como estão, os dirigentes políticos que para aí andam e mais o seus acólitos, que vivem da política, eu sou um imenso pessimista.

Mas como não se vê grande alternativa é mesmo um...
...Pessimista! Mas imagine que aparece uma pessoa, com uma ideia política...

Um homem providencial?
Deus me livre! Não, um homem preparado...

Ou uma mulher...
Ou uma mulher, claro. Se calhar, até prefiro uma mulher. Mas que tenha uma profissão e preparação. O mal é que grande parte dos nossos políticos não tem preparação.

Os políticos profissionais também estão no poder noutros países da União, que estão melhor que nós...
Sim, é essa a diferença. Nós somos mais pobres e estamos a ficar ainda mais pobres, em relação à Europa.

Mas mais ricos do que éramos antes, não?
Trinta anos depois, tínhamos de estar um bocadinho, com qualquer regime, até com o Salazar. Mas a verdade é que nos abrimos à Europa como tínhamos de abrir, fizemos algumas coisas meritórias, mas há muito da nossa vida que é uma aparência. Daqui a cinco anos, o meu amigo pode estar a dever, sem dar por isso, 42 mil euros ao estrangeiro, quando, em 2000, devia 4 mil. Há uma parte da nossa vida que é ficção.

Mas todos os países estão endividados... Qual é o endividamento dos EUA?
Não compare. Os EUA têm moeda própria e, logo aí, têm um instrumento...

Mas o nosso problema foi a adesão ao Euro?
Nada disso, eu concordei com a adesão. Mas isso introduziu um grau de rigidez na nossa competitividade que nos está a matar.

Então foi mau...
Não foi mau. Teríamos é de fazer coisas que não fizemos, depois da adesão. Aderimos bem. Mas temos vindo competitividade, que é a capacidade de vender os nossos produtos. Dantes, disfarçava-se com o facto de termos uma moeda própria. Fazia-se a desvalorização. Lembro-me de uma sexta-feira, era eu ministro das Finanças, fui à RTP anunciar uma desvalorização de 15 por cento. Na segunda-feira seguinte, aquilo que comprávamos ficou 15% mais caro. E o que vendíamos, 15% mais barato. Ao perder o instrumento de manobra cambial introduzimos uma rigidez a que os políticos não ligaram suficientemente.  Diz que eu estou pessimista? Olhe, no outro dia, depois de ter ido à SIC, houve um grande economista que me ligou e me disse: "A única coisa em que discordo de si é que eu estou um bocado mais preocupado..."

Mas o senhor já fazia previsões catastróficas há dez ou 15 anos. Nesta altura Portugal já não devia existir. O que correu menos mal?Catastróficas, não! O que eu digo - e se calhar, essa mensagem não passa - não é para "amanhã". A sociedade portuguesa está viciada em falar "ontem" para "amanhã". Ora, a direcção que o nosso País leva não se mede entre dois centímetros, mas em dois metros. E se vir como estávamos em 2000 e como estaremos em 2010, verá. A longo prazo, anda não errei nada! Em 1995 escrevi um livro sobre políticas sociais. E disse que era absolutamente necessária uma reforma da Segurança Social antes do séc XXI. Ela só se fez agora, em 2006... Este ministro fazia parte da equipa que engonhou aquilo tudo. Disseram ao Guterres que isto estava garantido até ao fim do séc. XXI! Quem percebe isto dez anos depois, não deve ser ministro!

Mas olhe que os economistas falham muito nas suas previsões. Viu-se na crise e está a ver-se nas previsões sobre a retoma...
O problema é diferente. Temos de olhar para os gráficos. Para a evolução da nossa Economia. A tendência de estagnação e empobrecimento. É perante esta tendência que eu digo "cuidado". Porque, ao mesmo tempo que temos uma economia menos produtiva, temos um estado que exige cada vez mais meios para sustentar os seus compromissos sociais! E a despesa social está a crescer três vezes mais do que a Economia!

Mas num país em que as pessoas já passam tantas dificuldades, podemos prescindir das despesas sociais do Estado? Não seria ainda pior, para as pessoas?
Mas isso não serve de nada! O senhor não pode fazer política social com dinheiro emprestado!

Mas o senhor, que já critica tanto os serviços públicos, o que diria se o Estado fechasse ainda mais a torneira?
Eu não critico os serviço públicos por uma questão de falta de dinheiro. Critico, por exemplo a Educação, que é uma vergonha e um crime que os políticos estão a cometer. Critico o funcionamento da Justiça. A burocracia.

Mas melhorou  um pouco... hoje podemos pagar os nossos impostos pela internet, por exemplo... Não podemos estar sempre a dizer mal de tudo...
Não quero subestimar essas coisas! Isso é óptimo! É um salto qualitativo dos serviços públicos! Mas isso não tem a ver com o sistema  fiscal, que  não está melhor. Está cada vez pior. Nesta área, o sistema legal está péssimo. O de execução melhorou muito, graças ao Paulo Macedo [ex-director-geral dos Impostos]. Mas o dos tribunais está, também, péssimo. As minhas críticas são de estrutura.

Se lhe pedissem que lhe salvasse as Finanças do País, faria um discurso similar ao de Salazar, quando lhe pediram o mesmo? É que o diagnóstico que faz do estado do País é idêntico ao que ele fazia...
Há uma parte do diagnóstico que é parecido. Nós chegamos a um ponto em que gastamos muito mais do que aquilo que fazemos. O contexto do Salazar era muito próprio. Quando foi convidado, a primeira vez, esteve cá cinco dias. Percebeu quem era aquela gente. Mas em 1928 estávamos estrangulados. E o Salazar vinha escrevendo que isto só tinha uma solução, mexer no Orçamento. Com os empréstimos externos cortados, tiveram de ir buscá-lo. Portanto, isto dá-nos uma lição: ou percebemos a tempo a nossa doença, ou um dia teremos um Salazar.

Então, é de uma pessoa dessas que está à espera.
Não, não estou à espera. É verdade que ele, entre 1928 e 1945, tirando as tropelias politiqueiras, foi o tipo de que o País precisou. Mas a desgraça recomeça em 1945. E, a partir de 1960, foi o fim. Nós, hoje, para mantermos uma política orçamental, mantendo as despesas sociais, temos de arranjar outra economia. E temos de reduzir as despesas.

Despesas sociais?
Inevitavelmente, algumas. Só o dinheiro que a malta recebe do Estado leva 78% do bolo... A única coisa que podemos fazer é fazer com que a Economia dê mais dinheiro. Senão, temos de reduzir despesas, a doer.

Compara muito estes tempos com o estertor final da monarquia. Em que havia, se descontarmos a efémera ditadura de João Franco, dois partidos, esgotados e corruptos, que se alternavam no Poder - os progressistas e os regeneradores. Como o PS e o PSD de hoje?
Esta democracia não funciona. Os partidos fecharam-se porque não querem gente de qualidade lá dentro.

Ou é a gente de qualidade que não quer ir para os partidos?
Talvez, também. Mas é mais provável a primeira hipótese. Os partidos tomaram conta do dinheirito e as pessoas lá dentro esgatanharam-se para disputar a mesa do Orçamento. E o pessoal de qualidade está a governar-se por fora. O que tem a ver com as grandes obras que este Governo quer fazer, para dar dinheiro a ganhar a alguém. Estes projectos são criminosos.

O TGV, o novo aeroporto...
Todas essas porcarias! Não são absolutamente essenciais, em primeiro lugar. E precisamos é de um Governo que crie as condições para atrair investimento estrangeiro e interno.

Mas um País sem produtos naturais, petróleo, diamantes, etc., o que deve fazer para enriquecer? Que clusters deve explorar?
Não me interessam os clusters. Preciso é de ter um conjunto de condições que atraiam investimentos. externos e internos.

Os internos... enfim, há quem diga que os nossos empresários são tão fracos como o próprio país...
Costumamos dizer quer os empresários são sempre incompetentes, os advogados uns gatunos, etc... Tudo isso tem uma parcela de verdade, todos nós temos uma certa rasquice incorporada... Temos que viver com ela. Mas não estamos cingidos aos empresários nacionais. Temos é de arranjar condições para que quem queira investir, invista. Essa coisa dos clusters é tudo conversa. Numa economia de mercado é o investidor que escolhe.

Mas num País sem recursos, o Estado tem de revelar alguma imaginação para estimular isso...
O Estado tem de ter caco: os tribunais a funcionar bem e impedir que só haja imbecis a sair da escola. Isto é que são funções do Estado. A sua é escrever, a minha papaguear e a dos empresários investir! E eles investirão, se ganharem dinheiro. Ora, com o sistema de Justiça, a funcionar como funciona, o sistema fiscal também, e a corrupção a alastrar, ninguém vem para cá. Se o Estado fizer isto bem feito - e não é pouco - já actuará bem.

Mas a deslocalização do investimento não afecta só Portugal. Também afecta os nossos parceiros, onde há mais protecção aos trabalhadores.
Os governos têm de dizer: 'Meus senhores, ou querem os empregos e passam a ganhar menos, ou querem mais dinheiro e não há tantos empregos'. As pessoas podem optar - e a democracia é isto. O País pode dizer: ' Ah, então antes queremos ser pobrezinhos, enrascados, passar o tempo na praia a apanhar sol' e tal. Pronto, então tudo bem. Ou então as pessoas querem viver melhor - e a malta quer viver melhor, coitada! E com toda a legitimidade.

Há uma ideia sua, neste livro, em que lembra que outros, na Ásia, ganham menos, não têm contratos vinculativos nem poder reivindicativo, nem são defendidos por organizações sindicais. E o senhor acha isto bem?
Eu não acho bem!

Mas quer que se faça igual!
Não. O que eu digo é que se o senhor não tiver nada, nenhum trabalho e, portanto, nenhum rendimento, como é que vive?

Temos de optar pelo mal menor?
O que eu digo é que as pessoas, ou o Governo, não fazem a mínima ideia do mundo em que vivem.

Mas uma das soluções é pôr o País a funcionar, em termos laborais, como a Ásia...
Não é como a Ásia! Os outros países da Europa funcionam!

Mas estão com problemas similares aos nossos, desse ponto de vista do emprego...
Mas já viu populações ricas num país pobre, que não produz? Isso é que nunca existe.

E nos programas eleitorais, viu alguma proposta que o entusiasmasse?
Não. Os programas eleitorais, com a dimensão que têm, são uma falcatrua.

O do PSD é mais sintético.
Está bem, mas tenho ouvido o que a dra. Manuela Ferreira Leite tem dito e chega-me. Os programas são uma burla. Feitos para ninguém ler. São como as apólices de seguro: feitos para o eleitor nunca ter razão. Estão a fazer do pagode idiotas chapados.

Mas o CDS propõe baixa de impostos, o PSD quer acabar com o pagamento especial por conta... coisas que o senhor também defende.
O CDS não percebeu que diminuindo os impostos, o Estado tem um défice maior.

Mas o senhor também defende essa baixa, neste livro.
Mas quando for viável.

Mas isso é o que diz a líder do PSD!
Está bem. Mas neste momento não é possível nem vai ser tão cedo.

Nem para atrair o tal investimento estrangeiro?
Isso é outra coisa. Se fizermos as contas e tivermos a certeza de que resulta, então sim, é um toma lá dá cá. Mas dar borlas para depois eles não virem para cá, isso não. Se a Economia não mudar, os problemas financeiros agravam-se, os problemas sociais também e os políticos. A economia é o suspensório.

O senhor preconiza um governo de iniciativa presidencial com dirigentes que venham das profissões...
... Ou dos partidos.

Mas isso é fazer tábua rasa de eleições.
Não é. Claro que os partidos teriam de concordar com esta solução transitória, para poderem fazer uma limpeza, renovar-se. A ideia era atirar para outra entidade a solução que os partidos não encontram.

Mas tanto Guterres como Sócrates foram buscar independentes e pessoas vindas, por exemplo da Academia.
Essas coisas, normalmente, são para apanhar uns oportunistas. Têm sido uns pára-quedistas.

Mas veja o prof. Sousa Franco, por exemplo. Um académico, que não era aparatchik de nenhum partido. Ou no Governo Sócrates, que também teve figuras com este perfil. E as coisas não mudaram muito...
Veja: no Governo Sócrates, o Campos e Cunha saiu quatro meses depois. Porquê?

Mas como avalia o desempenho do seu sucessor, Teixeira dos Santos?Avaliei positivamente até ao momento, há um ano e meio, dois anos, em que ele também começou a ser politiqueiro.

Mas um Governo de iniciativa presidencial tem mesmo pernas para andar?Não. Mas o que quero dizer é uma coisa parecida, alguém com o consenso do PS e do PSD.

Um Bloco Central sem Bloco Central?
Exactamente. Alguém a quem se confira um mandato de confiança.

É quase um concurso público e a melhor oferta governava o País...
Não, era dar a possibilidade de os partidos terem quatro ou cinco anos para se arrumarem e correrem com a escumalha que para lá anda.

E se o País sair ingovernável das eleições? Cavaco - que o senhor apoiou - não deverá ter alternativas em cima da mesa?
O que eu sei é que se nenhum partido tiver maioria, entramos num caminho em que o dinheiro que vem lá de fora vai acabar. O primeiro solavanco que teremos, já na próxima legislatura, será um problema de crédito externo.

Mas se for tirar a um português de classe média o seu segundo carro, as férias em Cancoon e o pequeno-almoço fora todos os dias, porque ele que deve não sei quanto ao estrangeiro, como acha que ele lhe responde? Não dirá 'quero lá saber'?
Se me derem uma hora e meia em televisão, em canal aberto, garanto que viro muita gente do avesso. Basta começar a falar na qualidade da educação e de onde isso nos levará.

Mas, no seu tempo, a Educação tinha melhor qualidade? Com meio país analfabeto? E se tinha, como chegámos à situação actual?
Lá está você a confundir! Para as pessoas aprenderem não era preciso estarem lá todos! O abandono escolar, quando é feito por aqueles que não andam lá a aprender nada, é uma coisa boa! Nem gastam dinheiro à gente nem chateiam os outros! Esta ideia imbecil da escola inclusiva serve para depositar dentro de quatro paredes uns tipos! Para que o eng.° Sócrates e a Maria de Lurdes Rodrigues lhes passem, depois, um papelucho! Um tipo com cabeça devia perguntar, olhando para o papelucho: 'E isto serve para limpar o quê?'

Mas exagera um bocadinho. No seu tempo, em que a escola era tão "boa", havia 30 ou 40% de analfabetos. Hoje não há uma criança que não saiba aceder à internet. Não acha que melhorámos?
Se a criança souber ler, escrever, ler, contar, pensar, expor, tudo bem. O Magalhães vai morrer por si próprio. As crianças escangalham aquilo tudo rapidamente ou vendem-no na Feira da  Ladra...

Mas os paradigmas do conhecimento mudaram, em relação ao seu tempo. É melhor ter computador do que não ter...
Sim, mas as coisas têm o seu tempo. Eu prefiro que eles estudem a tabuada. O problema é que isto é dirigido por gente que apanhou uns diplomas. Se tivessem estudado 30 anos, como eu estudei... Esta gente, a Lurdes Rodrigues, o Sócrates, etc., são do tempo do diploma fácil... É como as Novas Oportunidades, uma trafulice que ptretende dar em seis meses formação que só pode adquirir-se em três anos. Os patrões não vão engolir isso, quando se tratar de empregar as pessoas. Os asiáticos estão a progredir porque exigem muito mais do sistema educativo.

Mas alguma vez tivemos tanta gente qualificada como hoje, em Portugal?As elites são mais qualificadas do que no meu tempo. Mas o resto é muito pior. Eu deixei de ensinar, porque era um horror. Um dia encontrei um moço a quem perguntei: 'Mas, afinal, quando é que se vai embora? Quanto exames já fez comigo?' 'Fiz dez', disse ele. Quem quer estudar deve estudar. Quem não quer, mais vale fazer outra coisa. O que critico, no ensino inclusivo, é não dar alternativas na saída profissional, para quem não tem capacidade para chegar à universidade.

Falou das eleites. No livro acusa os banqueiros, que se supunham fiáveis, de se mostrarem indignos de confiança. E aponta o dedo ao País. Mas isto não sucedeu, ainda com maior acuidade, nos outros países?
Sabe que o Madoff já está atrás das grades. E os EUA são os EUA. E eles, enquanto tiverem uma moeda que é aceite em todo o mundo...

Nós também temos...
Não é bem nossa. Nós somos uns penduras que estamos lá. Mas os EUA têm a nota verde. Enquanto a tiverem, e o potencial de riqueza que têm, não tenha pena deles. Mas essa história dos banqueiros é completamente chocante. Eu não sou contra as altas remunerações para quem, realmente produz em conformidade. Mas, tirando um ou outro, os que estão na alta finança, e que vêm, muitas vezes, dos partidos, são uns aselhas como os outros. E estas pessoas ganhavam milhões por serem gestores geniais! E sérios!

Neste livro, o senhor decreta o fim da social-democracia e do Estado social.
Eu não decreto. A realidade é que decretou. Não há democracia válida se os países não tiverem sustentabilidade económica. Acha que temos uma democracia a sério? Olhe, eu queria uma democracia como esta: o senhor Olmert, primeiro-ministro de Israel, foi acusado de se ter abotoado com uns dinheiros. Vai ser julgado. O presidente da República envolveu-se num escândalo sexual. Foi despejado. O senhor Nixon fez aquela pantominice do Watergate e foi-se embora. Uma democracia tem de ter um sistema judicial que funcione. E em Portugal? É o Freeport, são os sobreiros, os submarinos, os bancos... Tudo! Em Portugal, o Poder não quer que a justiça funcione. porque isso lhe trará dissabores.

Mas voltemos ao Estado social e à social-democracia...
A social-democracia tenta igualar o mais possível a dstribuição de riqueza e desenvolver um conjunto de mecanismos que protege as pessoas em dificuldades. Foi um óptimo sistema enquanto houve dinheiro. E havia poucos reformados, e os estados tinham política económica. Agora, os estados receberam o passivo das políticas sociais, mas não os aspectos positivos: riqueza, pleno emprego, etc.. Se desapareceram os alicerces do Estado social, este passou a ser ficção. Estamos a fingir. Ou os políticos social-democratas repõem a economia, ou nada feito.

Mas o senhor profere estas afirmações numa altura em que o neo-liberalismo falhou mais clamorosamente e as ideias do socialismo democrático parecem regressar...
O que se passou foi o abuso da liberdade contratual.

Por ineficácia do Estado como regulador...
Exactamente! E eu não sou nada contra a intervenção do Estado! Mas a razão por que esta crise não me preocupou tanto como à maior parte das pessoas, foi porque, em 1929, os estados ficaram quietos. Desta vez, agiram.

Mas agiram num sentido mais esquerdizante...
Fizeram o que tiveram de fazer.

O que nos remete para o regresso ao papel do Estado social...
Pois, mas isso é um regresso de um instrumento da social democracia, não da social-democracia.

Mas o senhor professor não indica, neste livro, uma alternativa válida a esse sistema de Estado social a que as pessoas se habituaram a viver.
Não há ainda alternativa. Estamos a caminhar para qualquer coisa que ainda não é bem definida, tal como a internacionalização da Economia não é ainda clara. Estamos numa nublosa e ninguém sabe qual é a ideologia que vem a seguir. O que eu digo é que terá de ser conforme as novas circunstâncias.

À luz destas reflexões, o que pensa das políticas de Barack Obama?
Eu sou suspeito porque tenho por ele grande admiração.

Ele está a gastar mais com políticas sociais.
Mas eu estou de acordo com ele. Nomeadamente no que diz respeito á reforma na Saúde.

Mas então está a entrar em contradição com as suas próprias convicções...
Não. Nós temos é de ter um Estado social de dimensão conforme com a Economia. E os EUA têm ainda muito poucos encargos sociais e uma carga fiscal muito baixa. Em Portugal, temos de talhar o fato a partir daquilo que a Economia render. Mas temos de ter um Serviço Nacional de Saúde e Educação pública de qualidade.

Diz, no, livro, que entrámos no período de maior decadência depois do 25 de Abril. Mais do que no PREC ou os tempos de quase banca rota do início da década de 80?!
São contextos diferentes. Agora estamos em velocidade de cruzeiro, e não sob perturbações políticas decorrentes da revolução. E é com ese critério que eu defendo essa tese.

O que achou desta polémica sobre a TVI?
Senti-me a viver no Estado Novo. Não me lembro de nada tão estranho, em democracia. Primeiro tentam comprar a estação. Depois desistem. Depois correm com um tipo. Depois alguém telefona de Espanha... Bem, eu, como desconfiei sempre do Estado Novo, também desconfio disto.

O senhor professor vai votar?
Não sei, é uma angústia que tenho. Ainda não decidi nada. Mas estou com muito medo dos próximos quatro anos.

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setembro 02, 2009

 

Por Miguel Sousa Tavares
Segunda-feira, 29 de Jun de 2009
Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha e
na companhia de uma amiga estrangeira; quarta-feira de manhã, refaço o mesmo
percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa. Tanto para lá como para cá, é
uma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursão
pela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito
cerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis.
Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está
espantada com o que vê:
- É sempre assim, esta auto-estrada?
- Assim, como ?
- Deserta, magnífica, sem trânsito?
- É, é sempre assim.
- Todos os dias?
- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.
- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?
- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que
o desenvolvimento era isto.
- E têm mais auto-estradas destas?
- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto ,
vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro , por exemplo, não há
nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio .
Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na
poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me.
- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional
está cheia de camiões?
- Porque assim não pagam portagem.
- E porque são quase todos espanhóis?
- Vêm trazer-nos comida.
- Mas vocês não têm agricultura?
- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem que
produzir não é rentável.
- Mas para os espanhóis é?
- Pelos vistos...
Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:
- Mas porque não investem antes no comboio?
- Investimos, mas não resultou.
- Não resultou, como ?
- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha
Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.
- Mas porquê?
- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando
'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há
restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de
'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Por
isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado
perde centenas de milhões todos os anos.
- E gastaram nisso uma fortuna?
- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três
horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos...
- Estás a brincar comigo!
- Não, estou a falar a sério!
- E o que fizeram a esses incompetentes?
- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo , Madrid -Lisboa... e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.
- Mas que tamanho tem Portugal , de cima a baixo?
- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km .
Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.
- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto ?
- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me
falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV
deles para Salamanca ; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital
Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota,
para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois,
pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e,
finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.
- Como : então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta
para trás e entra em Lisboa?
- Isso mesmo.
- E como entra em Lisboa?
- Por uma nova ponte que vão fazer.
- Uma ponte ferroviária?
- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos
os dias para Lisboa.
- Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!
- Pois é.
- E, então?
- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim.
Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a
fasciná-la.
- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a
auto-estrada está deserta...
- Não, não vai ter.
- Não vai? Então, vai ser uma ruína!
- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os
bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é
que vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto,
nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o
justificar.
- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?
- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!
- E vocês não despedem o Governo?
- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com
Espanha foi a oposição, quando era governo...
- Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?
- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.
- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?
- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.
- Como ? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?
- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade.
Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que ela
pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:
- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?
- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50
quilómetros de Lisboa.
- Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da
cidade, e fazer um novo?
- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.
- Não me pareceu nada...
- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.
- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as
companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um
pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?
- Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um
hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a
Europa: um sucesso garantido.
- E tu acreditas nisso?
- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o que
é aquilo?
- Um lago enorme! Extraordinário!
- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.
- Ena! Deve produzir energia para meio país!
- Praticamente zero.
- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!
- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.
- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber,
serve para regar - ou nem isso?
- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o
perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agricultura
não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.
- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para
nada?
- Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o
que nós fazemos mais e melhor.
Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se
para me olhar bem de frente:
- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?
- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo
fora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas
as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e
enlouqueceremos de vez.
Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento.
E suspirou:
- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar
como Portugal ! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém!

Miguel Sousa Tavares

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setembro 01, 2009

 

O Grande Caso BPN: Portugal

Este homem devia ser a Universidade de Verão de muita gente neste país de consciências adormecidas e apodrecidas.

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julho 11, 2009

 

Corrupção do intelecto

Saramago declara apoio a António Costa

Lido na TSF

O prémio Nobel da Literatura José Saramago declarou, esta sexta-feira, apoio à recandidatura do presidente da Câmara de Lisboa, António Costa (PS), nas eleições autárquicas de 11 de Outubro.

«Espero que seja presidente por muitos anos mais. Espero que isso aconteça. Oxalá! Mas é preciso fazer com que isso aconteça. As coisas não acontecem por si mesmas. É preciso fazê-las acontecer», afirmou José Saramago.
«Espero que isso venha a suceder, a tempo de ganhar as eleições e a tempo de continuar o magnífico trabalho que tem vindo ser desenvolvido pelo Município de Lisboa», acrescentou.»

 

Para os que ficaram mudos com esta aproximação súbita do Nobel inquebrável aos piratas da politica portuguesa, aqui vai o resto da notícia:

O escritor e militante comunista falava na Câmara de Lisboa durante a assinatura de um protocolo para a produção de um filme sobre a relação entre José Saramago e Pilar del Rio, com o título provisório de «União Ibérica».

Este comunista empedernido de repente viu-se familiarizado no neo-liberal PS? E ainda por cima no Alberto Costa??? Como é que uma Câmara como a de Lisboa endividada até ás pontas dos cabelos, ainda tem dinheiro para estes delírios?? Mostra bem como e por quem é gerido e aplicado o dinheiro público em Portugal: de forma criminosa e por criminosos.

Querem saber a sinopse adivinhada do tal 'filminho'? Cá vai:

Escritor português, Nobel, conhece espanhola feminista  que decobre nele o fascínio comodista e ao mesmo tempo inovador da escrita sem pontuação.

Orçamento do filminho? Ora não sei, deixa cá ver ..... uns 500.000 euros. Chega?

Ironicamente, Saramago sempre proferiu (a quem o quisesse aturar) que Portugal maltratava os seus notáveis. Era um país tacanho, e tudo o mais que nisso se podia enquadrar, o mestre escritor não se eximia a debitar recadinhos em forma de profecia, tecidos a partir do buraco escavado em território espanhol, onde se enterrou.  Assim se explica que quando Cavaco era Primeiro Ministro tudo o que bastava para que o tresmalhado anarquista parasse a corrosiva caneta e voltasse á pátria era que fizessem um filminho sobre ele, e o respectivo umbigo. Então era isso!

Emerge agora este Saramago, velho, provavelmente menos lúcido (eufemismo de senil) voltando do seu exílio, o seu 'amuo', em investidas calculadas. E vem directo para o conúbio com a súcia de bandidos que andam a pilhar este país desde o 25 de Abril. Estes neo-comunistas mostram bem a sua pele, o seu carácter, e a sua motivação: sede do protagonismo.

Corrupção intelectual,  Corrupção moral, Corrupção económica.

Prostituição.

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setembro 27, 2008

 

Des-Ligados

No programa do Provedor do Telespectador da RTP, lá tentaram mostrar alguns desagradados com o formato  do programa Liga dos Últimos. Estes desagradados eram tipicamente lisboetas emproados. Um perfil urbano que lê 40 livros por semana, estilo Marcelo Rebelo de Sousa, e acham que vivem num país de primeiro mundo. Dentro da porta de cada um deles, talvez.  Analisavam o programa altivamente, querendo encaixá-lo num formato inclassificável , devido ao retrato degradante que fazia das pessoas, fugindo á reportagem dos acontecimentos desportivos. Recomendavam que o programa deveria ter um formato sério, informando de facto sobre esse mundo da bola que a maior pate de nós não conhece.

Se calhar o programa deveria ter exposto mais claramente o seu formato, desde o início. Assim havia menos confusão em certas cabecinhas. As que não saem da bolha urbana. É que ainda por cima parece que se obrigavam a ver o programa. Isto numa altura em que o que não falta neste país são escolhas televisivas.

Os cromos, esses, ao menos desta vez apareceram no programa do provedor do telespectador da RTP! Deram a cara, seja-lhes reconhecido.

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maio 21, 2008

 

 

A conjuntura ganha contornos palpáveis quando em cada dia que passa, e mais mergulhamos nela, mais nos vemos forçados a aceitar diligentemente, como uma bênção ovina, tudo aquilo que até então nos bastávamos a manter num recanto miserável do nosso consciente diário.

Outras situações se confundem com a conjuntura, nas sua expressão jusante: o desespero.

Por exemplo, agora estou a ver uma Moldava a cantar em lingua inglesa no concurso da Eurovisão. Mas alguém ainda vê o concurso da Eurovisão? E já agora , dou aqui a minha canção vencedora: a Bélgica. O vestido da cantora, assim num estilo lolipop, e sabendo como anda o meu dente para guloseimas, é tortura... Douze Pointes! E daí o Azerbeijão também apresenta a concurso uma canção em inglês, em vez daquelas canções com aqueles títulos indecifráveis como 'nzdra njim zagov' (por exemplo, e assim ao calhas). Mas o Azerbeijão pertence á Eurovisão? Já não percebo nada... Não interessa, daqui a 10 anos está a ultrapassar o PIB português, ou então uma outra estatística qualquer.

Outra situação, hoje, na noite acabada de cair, deparo com um 'jovem' já todo equipado para o Euro 2008 com a camisola 17... Já em casa no ticker da SIC Noticias, leio que a camisola do tal jogador mudou para o número 7!

É que é demasiado fácil para as minhas maquinações conspirativas: Será que o Scolari tem alguma coisa a ver com esta mudança do número das camisolas? Assim metia uns troquinhos ao bolso, do fabricante das camisolas.Sei lá!

Está bem, o rapaz só tem de  pegar na camisola e apagar o '1'. Mas foi como quem atirasse uma seta certeira ao meu centro de riso compulsivo.

A Maldita da conjuntura!

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maio 06, 2008

 

Met-áfora

Ver-te assim naquela foto... Vi mais que a metáfora. O que recusas ver nestes dias. Não desesperes, no meio de tanto material reciclável, és  a que tem maior capacidade de se reciclar!

A decadência veste-se de muitas formas, entre elas o desencanto. E pode ser um bom começo: o da reconstrução. em causa própria. Porque não? Os outros que se f........ . Onde têm estado? Souberam fazer das suas com com as coisas que este tempo todo guardámos como valiosas.

No meio de atropelos e  azelhices ao volante, só consigo tentar fazer-te rir, nestas alturas.

És uma mulher linda,em tantos aspectos, que demasiadas vezes reconheces a beleza nos outros e no mundo á tua volta, antes de reconhecê-la em ti. Chega.

Que comece o Luto! A Luta , essa, é logo a seguir.

 

Um Beijo GRANDE.

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abril 07, 2008

 

a Idade para tudo

Ontem pus-me a ver a reportagem da SIC. Sobre as armas ilegais em Portugal e os seus efeitos. 

Video aqui (A lei das armas).

Lá mostraram uma série de situações desde as profissões de risco que obrigam ao porte de armas, mesmo que ilegais, até ás situações de exclusão social em zonas 'problemáticas' de Lisboa, em que são mais habituais as cenas de violência policial e de tiroteios. Entre essas zonas, um pequeno bairro de lata, no Prior Velho em Loures.

A reportagem cruza-se com duas crianças, dois rapazes na rua. Começa a conversa, sobre a violência e sobre os tiroteios.

- E armas? Há armas cá no bairro?

- Há! Já vi, já vi... Ano novo. Ano novo eu vi.

- Que foi que aconteceu no Ano Novo?

- Começaram a disparar. Um irmão levou aqui um tiro, no peito.

- Duma bala perdida?

- Sim.

[........]

- Vocês sentem medo?

- Sim. Muito.

- Medo de quê?

- De morrer.

[Ao que timidamente um deles responde]

- De morrer, sem chegar até... ao ... adultério.

 

É claro que eu ao ouvir isto dei um pulo de um só riso.

 

Idade do adultério! Todos queremos lá chegar, um dia!

É sinal que estamos bem vivos!

 

Continuaram, num tom de esperança, que é quase um desalento:

 

- Eu gostaria que isso.... eu dava tudo, tudo , até minha casa, para esse bairro ficar limpo. Calmo.

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fevereiro 08, 2008

 

Choque Fumológico

marauder: é verdade
marauder: tenho uma noticia que deve fazer-te feliz
marauder: JÀ È PROIBIDO FUMAR NO HOLYWOOD
Gustavo: Opah, que bom ... :D a seguir vais-me dizer que os preços estão mais baixos ...
marauder: nao sei bem pq, mas foi la a fiscalização e aparentemente nao correspondia
(01:23:48) Gustavo:  nao sei bem pq, mas foi la a fiscalização e aparentemente nao correspondia
não correspondia a k?
marauder: aos criterios
marauder: necessarios para teres um estabelecimento com essas condições
marauder: aliás aos criterios para adminitir fumadores
marauder: qq coisa assim
Gustavo: eu bem me pareceu que o gajo estava a armar-se aos cucos , ao meter aquele autocolante
marauder: nem por isso
Gustavo: ele já mesmo tem muita clientela , e então com esta nova lei ...
marauder: ele fez obras
Gustavo: já meteu exaustores ?
marauder: sim ele tinha feito isso
marauder: e dps meteu o autoclante
marauder: meteu 3 ou 4 chupadores de ar
marauder: no vidro
Gustavo: lol
marauder: mas lol tenho a impressao que ele deixava aquilo desligado
Gustavo: e os inspectores não sentiram o chupanço ? :)
marauder: nao sei os pormenores
Gustavo: opah porque seria.. ?
Gustavo: lol
marauder: era bem feito era eles terem apareceido com aquilo desligado :p
Gustavo: e verem o túnel de fumo que aquilo é quando está vento
marauder: assim é pior para quem quiser deixar de fumar :p
marauder: nem podem fumar passivamente como consolo
Gustavo: :) opah tem de deixar mais cedo ou mais tarde ...
Gustavo: com o Sócrates ninguém escapa
marauder: o choque fumologico
marauder: eu acho que a medida foi um quanto percepitada :p
Gustavo: LOL .. fumologico
marauder: acho que deviam progressivamente espalhar a proibição de fumar
marauder: de uma forma menos drastica :p
Gustavo: exacto .. como um virus
marauder: inclusive, antes desta lei,
marauder: ja nao se podia fumar em varios cafés/restaurantes

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Boys night

 

[Ontem, no cinema...]

- Este Rambo, fala pouco... É muito calado..

 

Vai o Miguel e responde:

- Pá, fala pouco mas mata muito!

Risada geral !

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janeiro 27, 2008

 

"Páteo" de memória

[Um post, que esteve amadurecendo pelo mês que termina.]

Sentámo-nos ali, no café, eu e a minha mãe, num café inesperadamente sossegado, no coração de uma cidade que há muito perdeu o sossego. Já á entrada um cumprimento que ela dá a uma senhora que não conheci.

Ali estivemos, menos ameaçados pelos resquícios das decorações de Natal e das memórias que deixa. É tempo de voltar á rotina dos dias, banais. Suspiramos as pessoas que saem para fora da cidade que perdeu o sossego, e as pessoas que saem, e devolvem (algum) sossego.

Estivemos com outras memórias. Mais longínquas, mais ermas.

Gostei muito da conversa. Especialmente depois de passados uns dias tormentosos, em que fui injusto para a boa vontade dela em tentar ajudar-me. A conversa foi decorrendo, calmamente, em jeito de pacificação, dos que continuamos vivos sobre quem já não está por aqui.

Falámos do meu pai, da sua passagem quase fugidia e do motivo que o aproximou da minha mãe, perversamente também o mesmo que foi ditando o seu fim. Fiquei a saber um pouco mais dele, do alcance da sua luta pessoal, das decisões que o levaram a sair da sua terra.  Da condição tangencial da sua saída de uma situação que, de uma maneira ou outra, estava a matá-lo. Não tendo nada a perder, partiu. Falámos do tempo que demoravam as viagens de barco na altura, que a minha mãe ainda chegou a fazer.

Á saída, a minha mãe detém-se junto da desconhecida da entrada. Avancei até á porta e de lá pude ler o espanto dela, quando me reconheceu através do meu pai. "É ele! Tal e qual, da cabeça aos pés!". Ele, era o meu pai. Emocionado, á porta, sorri.

Seguimos caminho, e senti um orgulho imenso de senti-lo vivo, nesta forma que assumo todos os dias, e que nos dias mais negros tendo a valorizar pouco.

O meu pai , se calhar, sou eu. E sou mesmo!

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janeiro 13, 2008

 

You gotta love it to work.

I'll love it when it works!

For it to work you have to love it.

Um silogismo que ajustei á mecânica das relações. Só podia tê-lo encontrado no Parque Jurássico, Mundo Perdido !

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janeiro 09, 2008

 

RATificado

 

Acho que qualquer Cidadão, minimamente consciente da situação política que o país atravessa, consegue de uma assentada enumerar  pelo menos 2 motivos óbvios para esta aversão alérgica da classe política em Portugal de todos os quadrantes, ao Referendo ao Tratado da União Europeia.

Como sou um preguiçoso, vou enumerar só mesmo 2 motivos:

  1. A situação de forte impopularidade interna do Governo português levam alguns  fervorosos (e temerosos) do Governo a temer a realização do Referendo na presente conjuntura, o qual a ter um resultado negativo, reflecte não só o sentir em relação ao Tratado e á Europa mas,  o sentir generalizado dos Cidadãos em relação a estes quase 3 anos de (des-)governo, ilações essas que extravasam o objectivo principal do mesmo. Nesse receio acabam por passar um atestado de menoridade do exercício da cidadania ás pessoas, não lhes dando a oportunidade de expressão pelo referendo de questões que lhes afectam. E vão passar a afectar dirariamente.
  2. Caso o Referendo chumbasse  o dito Tratado,  a imagem e credibilidade de Portugal perante a Europa,   sairia no mínimo arrasada. E lançaria alguns, senão os restantes países da União em mais uma crise embaraçosa, em que os seus Cidadãos iriam por um lado achar crítico que o país que acabou de ter a Presidência rotativa da União, também o reprove, e por outro voltar-se-iam contra os seus Governos exigindo serem ouvidos nesta matéria, ou nem sequer isso: em vez de chumbarem o Tratado em Referendo, chumbavam o próprio Governo do seu país na altura mais oportuna. Quando a memória não é fraca, e os tempos são de crise...

 

 

A RATificação do Tratado, fez-se, já ontem, no RATO (o Largo do..) á porta fechada, qual Ali Bábá. Não será preciso ir ao Parlamamento. E muito menos  haverá necessidade de 'incomodar' os Cidadãos!

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dezembro 24, 2007

 

Des-mistificado?

Interessante. Já no Câmara Clara da semana passada ouvi uma referência  do Professor Catedrático Moisés Espirito Santo a este assunto. Foi um programa a antecipar o solstício de Inverno, assinalado pela noite mais longa do ano, entre os dias 21 e 22 de Dezembro. Paula Moura Pinheiro, trazendo-nos o seu encanto e os temas que nos encantam, fora deste mundo. Nesse programa, o Sociólogo refere que a alteração  do nascimento de Cristo, em Setembro, deu-se para ofuscar as celebrações do deus romano Mitra, o deus solar.

A menos de uma semana do Natal, a 15ª edição do Ciência Hoje aborda dados de historiadores que situam o nascimento de Cristo sete anos antes... a 15 de Setembro e o relacionam com um censo ordenado pelo Imperador Augusto. David Cristina e Joaquim Cabral Teixeira questionam-se sobre a famosa Estrela de Belém e sobre a hipótese de se ter tratado de uma conjugação de Júpiter e Saturno.

Para descarregar: www.cienciahoje.pt/files/24/24678.mp3 (sofrível: a locução deixa a desejar)

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dezembro 02, 2007

 

Ingéni(u)o

Porque é que nascem tão poucas crianças em Portugal?

Foi o tom pungente, ingénuo quase, do Presidente da República ao apontar um dos sintomas da desertificação do interior do país.

Eu não acredito que tenha desaparecido dos portugueses o entusiasmo de trazer vidas novas ao mundo

Pois acredite que é verdade, e não é trazê-los ao mundo que custa (depende de como vemos a questão) mas sustentá-los, até á idade em que o possam fazer por si próprios, que é também a idade em que acham os pais uns 'quadrados'. E isto tudo em Portugal. Uma aventura, portanto!

Quanto ao "entusiasmo" de gerar as tais 'novas vidas', esse nunca faltou, Sr. Presidente. Nem aqui, nem em qualquer outra parte.

Quando os jovens têm a sua auto-suficiência cada vez mais tarde nas suas vidas, por uma série de factores, sendo um deles uma empregabilidade que não lhes dá nenhuma estabilidade, ou então mesmo o desemprego garantido, como podem eles "entusiasmar-se"?

Enquanto não surgirem empresas no interior do país, enquanto não surgirem investimentos, será muito difícil reter os jovens e criar empregos

Ora aí está uma das respostas á (sua) primeira pergunta.

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novembro 27, 2007

 

Grosseria

O presidente da Universidade de Columbia, apostado em dar uma lição prática sobre os benefícios da liberdade de expressão, resolveu convidar o Presidente do Irão, Ahmadinejad, de visita à Assembleia-Geral da ONU, para discursar na sua Universidade. Porém, convite feito e aceite, sentado o convidado frente à plateia, o ilustre Lee Bollinger resolveu entrar para a história com esta frase de boas-vindas:

- "Vamos ser claros desde o princípio, senhor Presidente: o senhor tem todos os sinais de um ditador mesquinho e cruel, de uma espantosa ignorância".

Só um americano é que seria capaz de tamanha grosseria e falta de educação. As pessoas normais ou não convidam para casa aqueles que desprezam ou, se o fazem, não é para os insultar. Mas o sr. Bollinger transformou o pretexto da liberdade de expressão numa ocasião para o insulto fácil e de costas quentes. Certamente que não se atreveria a dizer a mesma coisa se estivesse no Irão e certamente que também não diria o mesmo a alguém ainda mais espantosamente ignorante, como é o Presidente dos Estados Unidos. A ignorância da gente de Bush tem sido, aliás, a maior fonte de perturbação global dos últimos anos. Resta esperar que o tempo passe depressa e que a lição tenha sido aprendida.

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outubro 30, 2007

 

The killer within. the artist without.

A propósito daquele  'artista' em série russo que foi condenado ontem . Chamam-no "chessboard killer". Que se sentia deus ao assassinar aquela gente toda.

Lembrei Pulp Fiction. E aquelas cenas de verdadeira genialidade em que dois assasinos a contrato irrompem pelo covil dos bandidos, armados de espingardas e um deles, Samuel L. Jackson, armado com uma bíblia.

Este, logo que fazia a sua entrada triunfal, começava de imediato descarregando os epifânicos versículos pré-seleccionados sobre aqueles infiéis, antes de descarregar todo o seu chumbo naquele lixo humano.

E ao lembrar o filme, ri-me entre-dentes. Quis achar piada no real, atabalhoado e brutal, porque é o real. Não há ensaios!

A arte tem uma maneira bem mais interessante de retratar desanuviadamente estes actos. O problema é quando somos confrontados com os artistas da realidade. Essa, bem mais áspera.

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outubro 28, 2007

 

A propósito do balanço dos mortos na estrada este fim de semana, a minha mãe comentou:

- Foi um banho de sangue na estrada este fim de semana...

- Onde? No continente?

- Sim, fora os mortos, crianças com traumatismos cranianos, etc... uma tristeza..

- Mas este fim de semana teve alguma coisa de especial?

- Não não é isso  as pessoas é que , enfim fazem as coisas...

- Pois , as pessoas é que tornam os fins de semana especiais!

- Pois é isso!

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outubro 27, 2007

 

European skills snatch plan alarms US tech firms

It's no secret that American tech firms prize vast quantities of H-1B temporary visas and permanent residency permits, otherwise known as green cards. The companies argue that these tools are necessary to bring in foreigners for positions they claim suffer from shortages of qualified Americans, particularly the foreign nationals who represent the majority of masters and Ph.D. graduates from U.S. universities in relevant technical fields.

The EU's proposal would provide a "fast-track" immigration program known as the "blue card"--a sort of green card competitor, offering card holders all EU social benefits--which will bring 20 million additional workers from Asia, Africa and Latin America over the next 20 years, according to various news reports. The plan's drafters hope to award workers the cards within one month to three months--a far cry from U.S. green cards, whose processing time averages 5 to 10 years.

The European Union's new proposal aimed at fast-tracking the immigration process for workers in "highly skilled" is making some U.S. technology heavyweights nervous.

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Uns ilustres cá do burgo decidiram fazer um fórum. Coisa rara numa terra de fascistas empedernidos.

O tema foi a Europa, essa abstração que parece ser uma coisa distante, que nós portugueses nunca vamos conhecer o que é, graças á incompetência genética de todas as classes desta sociedade.

Então convidaram dois supostos representantes destas paragens esquecidas no Parlamento Europeu. É preciso lembrar que os dois deputados eram de quadrantes políticos opostos, se é que isso existe hoje em dia.

Se o tema foi a Europa, como disse, o inevitável tema seria a questão do referendo ao novo Tratado Europeu, assinado recentemente em Lisboa, que teve tanto de circo mediático como de farsa.

Os ditos deputados sairam-se com frases lapidares. Como estas:

 

..se Portugal avança para um referendo, está a estimular os outros (países) a ir para o referendo.

 

No Reino Unido estou convencido que se calhar (o Tratado) não passa e se não passa fica a Europa se mcondições de operacionalidade.

Ora que maçada! E como é que os senhores deputados suínamente alimentados pelo dinheiro de todos nós, (europeus de primeira e de segunda) pensam resolver esse 'obstáculo'?

 

Porque é que não ratificamos este Tratado por via parlamentar e depois , em 2009, então fazemos um referendo e perguntamos ás pessoas 'então querem a Europa ou não querem a Europa?'

A lata!

O outro deputado, revelando-se-lhe ainda mais o carácter invertebrado diz que os referendos em Portugal são subvertidos e há o sério risco de servir para censurar  o Governo central pelas políticas recentes [...]  então é contra a realização do referendo nas actuais condições.

Referendos subvertidos? Bem-vindos á Quinta Dimensão... Apertem os cintos!

A classe política europeia (sem falar dos invertebrados portugueses) encontra-se num estertor uníssono contra uma das mais puras e legítimas expressões da vontade dos cidadãos.

Porque será?

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